segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Erros propositais e cegueira seletiva.


São 02h58min h da madrugada, manhã ou seja lá como devemos chamar, e eu deveria obviamente estar dormindo, baseado no meu histórico de sono dessa semana, mas não estou. Novamente estou fazendo algo que não deveria estar fazendo, e voilá, novidade, han?

Eu acabei de rever Shopgirl. Esse filme me foi mostrado por uma amiga, uns quatro anos atrás e ela me disse que tinha se lembrado de mim quando o viu, que sua história lembrava muito a que eu vivia. A contra gosto fui ver, porém, quando terminou detalhes a parte, me senti mesmo naquele filme, digo, naquela história. Não foi legal.

Na verdade, ainda não é legal. Não vivo mais aquele infindável dilema, vivo novos, ou velhos com nova roupagem. Depende da forma como é vista, enfim, outra forma de apresentar os mesmos problemas. Quando o filme terminou não tinha me debulhado em lágrimas, talvez por não estar sozinha; me virei para meu amigo e disse: “Quero um Jeremy para mim”. Ele me olhou com cara de incredulidade e fez uma piada, comportamento natural entre nós. Mas eu estava falando sério. E continuei afirmando o que tinha dito e ele fez aquela cara de “Ai meu Deus, o que eu digo...” Então, eu olhei para o aparelho de som.

E vi um adesivo. Voltei para meu amigo e perguntei “Aquele adesivo é novo?”. Ele me olhou com cara de “Ahn? Que adesivo?”. Ainda descrente, apontei o adesivo para ele. E ele me responde que sempre esteve ali.

Um adesivo de cerca de quatro x três centímetros, preto com símbolo holográfico. E durante CINCO ANOS... CINCO ANOS eu olho praticamente todos os dias para aquele aparelho de som e não tinha visto o adesivo.

Devido a todas as circunstancias momentâneas e que vem acumulando durante todos os anos da minha vida, eu virei e falei: “Meu deus, como posso ser tão cega?”. Como posso? O que mais eu vou levar anos para enxergar? E Se for tarde demais?

As coisas estão gritantes na minha frente, elas brilham em letras holográficas e eu não as vejo. Certo? Por quê? Ao invés de apagar tudo e ir dormir, como uma pessoa sensata faria, eu viro e mesmo ouvindo protestos sobre o que seria certo a ser feito resolvo que vou escrever.

Tem meses, não, anos que não escrevo nada nesse sentido. Nada meu, nada que não seja fantasia. Nada. E não é por falta de vontade, mas simplesmente por que gostaria de verdade de poder escrever sobre algo mágico, algo fabuloso, algo “shine” que seria uma bela apresentação e recomeço para meus textos. Entretanto, onde estou eu? No mesmo caminho. Saio de um filme em que vejo boa parte de mim... (Aquela parte que foi magoada, que foi usada) E isso me assusta. Por que nos filmes sempre é mais fácil:

A mocinha sai de trás do balcão das luvas e vai para a recepção de uma galeria e o Jeremy (Hei, ele voltou e vou apresentá-lo) que no começo desse texto ou filme, era apenas um bobão daqueles que como ela mesma diz: “Precisa levar muito tempo para conhecer e ver que é uma boa pessoa”. Ele volta mudado, moldado e ainda tão apaixonado como no inicio e a tira do mar de tristeza que o Ray a deixou.

E sob narração, bela canção, céu estrelado e a imagem do abraço perfeito, tudo acaba. Ah sim, não posso esquecer-me do olhar perdido do Ray.

Não está fazendo muito sentido, eu sei. Baixei a trilha sonora, como se eu precisasse de mais motivação para um salto triplo carpado do sétimo andar, mas eu a queria. E estou ouvindo. Perdi a linha do raciocínio que me trouxe aqui, só sei que queria estar aqui. Talvez tenha sido mais um momento de rebeldia interna, vontade de fazer o contrario do certo e me punir por algo. Eu deveria levar uma surra da minha mãe agora.

Na verdade, o que grita é o que mais passa despercebido para mim? Quanto mais eu deixei de ver nesses meus longos anos de vida? Por que sou tão cega? É fato que não reparo nas coisas, mas dessa forma é bizarra. Meus mesmos erros são repetidos, por quê? Finjo novamente que não estou vendo o padrão?

Padrão. Que merda de palavra.

Tudo para mim é confuso, sei que sou eu que confundo tudo e muitas vezes um bloqueio meu me faz continuar escondendo e não colocando coisas às claras. O que vou perder? Talvez o que eu possa perder não valha o esforço que faço.

Tem palavras que não saem; expressões que não consigo terminar; frases que não consigo ordenar. Na mente tudo está claro até que inverto fatos, situações, verbos e pronomes e torno a coisa mais tangível. Seria essa a palavra?

O que estou fazendo? Por que essa necessidade de parecer tão compreensiva? Tão magnânima? Por que ser tão desesperadamente apegada a coisas que não são realmente nada? O que posso tirar disso?

Fecho meus olhos e finjo não ver o adesivo holográfico gritando sua mensagem para mim e sigo em frente?

Santo Deus... Santo Deus!

E contraditória, enquanto grito comigo ao som da OST de Shopgirl, estou eu mais uma vez fechando os olhos. Quando é que vai mudar?

Pergunta muito errada, como se o Word Office fosse subitamente e magicamente escrever uma reposta. Se escrevesse, seria censurado e vetado para muitas idades. Novamente, estou confusa e totalmente ferrada.

Tanta coisa importante para acontecer, decisões difíceis e até mesmo fáceis, precisam ser tomadas, e eu acho algo para me desviar do caminho. Lindo isso. É novamente o padrão. A merda do padrão.

O que é isso que eu faço? Que fuga é essa? Por que sempre as mesmas coisas com roupagem nova? Onde é que eu estou indo?

Tantas perguntas e eu não sei as respostas. Provavelmente eu simplesmente colocaria muitos insultos em complemento, por que é isso que eu faço. É assim que eu lido com as coisas. Me diminuo, é minha forma de proteção. Hmmm, não , de jeito nenhum. Não sei dizer o que seria...

Criar muros era minha forma de proteção, talvez no dia que decidi derrubá-los tenha cometido meu primeiro erro.

Só que hoje não sei mais reerguê-los; Não sei. Não mesmo.

Eterna confusão. Minhocas mentais ou macacos no sótão, o que passa por aqui é complicado demais para ser explicado, mas eu queria tanto que alguém me dissesse alguma coisa que clareasse minha cabeça. Hoje uma pessoa que pouco conheço me disse algo diferente de todo mundo, algo que EU diria a outras pessoas na mesma situação que a minha. Agora, por que cargas da maldita água barrenta é que não faço isso? Digo, o isso que ela me disse.

Sou hipócrita, é isso? Ou apenas vejo que as outras pessoas têm mais chances do que eu? Ou que merecem mais que eu? Ou seria só medo de perder o pouco que acho ter?